Atualização de 09/05/2013: Fui na delegacia na sexta-feira passada (dia 03/05) e fiz o registro da ocorrência, Termo Circunstanciado nº 038-02655/2013. Haverá uma investigação, na qual se descobrirá os dados do motorista, e no fim deste processo será aberto uma ação no Juizado Especial Criminal contra ele. Assim que eu tiver seus dados, entrarei também com ação no Juizado Especial Cível, afim de obter ressarcimento financeiro com os custos de uma nova bicicleta (uma vez que esta teve perda total).
Lembrando a minha experiência em processar empresas no Juizado Especial Cível, acredito que não terei problemas neste intento, lembrando que, no JEC, há a inversão do ônus da prova, ou seja, ele que teria que provar que não me atropelou – o que é impossível, haja visto meu depoimento e de minhas testemunhas na delegacia, bem como a foto da placa do veículo.
Atualização de 02/05/2013: Depois de quase um mês sem querer tocar no assunto, e ainda dentro do prazo legal para o registro da ocorrência, fiz o pré-registro no site da Delegacia de Dedicação Integral ao Cidadão da Polícia Civil do Rio de Janeiro (DEDIC), de número 0382013/006186-00, e comparecerei à 38ª Delegacia de Polícia amanhã, dia 03/05, ao meio dia para realizar o registro completo e prestar depoimento.
Consultei a placa do veículo no site do DETRAN/RJ (na opção Veículo > Cadastros > Veja a placa do seu veículo) e descobri que o proprietário (e possivelmente o condutor naquele momento) do Fiesta placa KVV3694 se chama Flavio:
Enquanto isso, no dia 15/04/2013 um participante da lista da Bicicletada que por motivos diversos eu prefiro não identificar, me mandou a seguinte mensagem (grifo meu):
Arlindo, tudo bem?
Estou com um conhecido que diz ser amigo da pessoa que tentou te atropelar
Vou copiar aqui o que ele escreveu
“isso.. esse mesmo …acho que ele ja veio aqui algumas vezes … então o rapaz que o ‘atropelou’ é meu amigo e é uma ótima pessoa … e a história contada é outra !!! eu queria saber se vc tinha o contato dele :S ?!”
Qualquer coisa pode me ligar XXXX-XXXX. Que loucura hem!
O rapaz que me escreveu isso é o andre Uchôa que esta em meus amigos, ele inclusive trabalha na Starbike da Vila da Penha
Além do sujeito provavelmente se vangloriar de ter estragado a bicicleta de um babaca por aí (eu, no caso), ainda vou ter de mudar a oficina que faço a manutenção da minha bike.
Parafraseando meu colega de pedal Robson Combat quando escrevia sobre o atropelamento do Rafael Pereira na Bicicletada de Outubro de 2011:
NADA JUSTIFICA JOGAR UM CARRO SOBRE UM CICLISTA!
NADA!
NADA!
Isso tudo dois dias depois do atropelamento e morte do ciclista Pedro Nikolay, e no dia em que os ciclistas ocuparam a capa dos três principais jornais da cidade: O Globo, O Dia e Extra:
Enfim, amanhã irei à delegacia e atualizarei este post.
Post original de 07/04/2013:
Valdemar Jesuino dos Santos tinha 60 anos, 6 filhos e trabalhava vendendo verduras numa pequena barraca que tinha, no bairro de Cordovil, Zona Norte do Rio de Janeiro. Todos os dias, ia de bicicleta até o CEASA, no bairro do Irajá, abastecer a barraca de verduras frescas. No dia 22 de março, há 15 dias, no bairro vizinho de Vista Alegre, seu destino se cruzou com o de José Tiago Rocha Fernandes, 28 anos.
José Tiago dirigia um automóvel alcoolizado, sem habilitação e sem o documento do veículo, que também tinha os pneus carecas. José Tiago atropelou Valdemar e fugiu sem prestar socorro. Valdemar morreu na hora. José Tiago foi pego 10 minutos depois e preso em flagrante. O homicídio ocorreu na Estrada da Água Grande, 1322. Veja a matéria do R7.
Gisela Matta tinha 36 anos, sem filhos, e trabalha como produtora de TV, no eixo Rio-São Paulo. No dia 31 de março, seu destino se cruzou com o de Benedito Rocha Silva, motorista de ônibus da linha Praça Quinze-Cidade de Deus, da Transportes Futuro Ltda. Gisela foi atropelada na esquina da Avenida General San Martin com Avenida Bartolomeu Mitre, no bairro do Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Benedito disse que, ao converter a direita, “ouviu um barulho vindo da parte de trás, à direita”, e a viu caída ao lado do veículo. Disse ainda que “naquele trecho não há ciclovia”. Ele socorreu a vítima, chamando o Samu e a Polícia Militar, mas Gisela não resistiu ao politraumatismo e morreu no dia seguinte, no Hospital Municipal Miguel Couto. Veja a notícia no Globo.
Arlindo Pereira tem 24 anos, sem filhos e trabalha como programador web na empresa Caos Design. No dia 06 de abril, ele e outros 4 ciclistas prestaram uma homenagem a Valdemar, no local do atropelamento, no bairro de Vista Alegre. Feita a homenagem, a 800 metros do metrô, para onde os ciclistas se dirigiam, Arlindo Pereira foi atropelado. Felizmente, sem nenhum arranhão, mas a sua bicicleta foi destruída por um motorista ensandecido, arrastando a bicicleta com seu automóvel por cerca de 15 metros, aos gritos de “Para!” de uma mulher no banco do carona, presumivelmente sua companheira.
Aos fatos: nos reunimos hoje e instalamos a Bicicleta Fantasma / Ghost Bike em homenagem ao Sr. Valdemar. Veja as fotos:
Na volta, vínhamos os cinco pela Avenida Monsenhor Félix, no caminho para o metrô. Num determinado momento a via, que é de duas faixas por sentido, se afunilou, devido a um sinal de trânsito direcional, que estava fechado para os que desejassem converter à esquerda e aberto para os que desejassem seguir em frente. Por conta disso, havia apenas uma única faixa de rolamento disponível, e não havia como nenhum automóvel nos ultrapassar com segurança, pois ocupávamos toda a faixa da direita.
Neste momento, pouco antes das 18h, um motorista mais esquentado fica acelerando atrás de nós, gritando impropérios, de “sai da frente, seu bando de [xingamento qualquer]” para baixo. Continuamos seguindo em velocidade normal até que ultrapassássemos toda a fila de carros que estavam parados no sinal na faixa da esquerda. Finalmente o motorista nos ultrapassa no final da fila, joga o carro em cima de nós de forma proposital e acelera de forma agressiva… até parar no próximo sinal, que estava fechado, na esquina da Rua Miranda e Brito, onde todos os veículos são obrigados a virar à direita (conversão obrigatória).
Saí em disparada para anotar a placa do carro. Parei minha bicicleta na frente de seu automóvel, de forma que ele não pudesse escapar sem atropelar minha bicicleta, e tirei o celular para tirar uma foto de sua placa. Nisso ele desce do veículo e ameaça me agredir. Nisso os outros ciclistas, que estavam mais atrás, se aproximam. Ato contínuo, ele desiste de me agredir, entra no carro e pisa fundo no acelerador, arrastando minha bicicleta embaixo do carro por cerca de 15 metros, com direito a faíscas do metal atritando com o asfalto.
No susto, me joguei para trás, rolando e apoiando com as mãos no chão. Estou com os pulsos doendo, bem como com um pequeno arranhão no dedo indicador da mão esquerda. Mas a minha bicicleta ficou destruída. Veja as fotos:
A placa do carro é KVV-3694.
Após passar o estado de choque, às 18h04 ligo para o serviço de emergência da polícia, 190. Comunico que sofri um acidente de trânsito, que o motorista se evadiu do local mas que consegui pegar a placa, que estava ferido e solicito uma viatura para vir fazer o BRAT (Boletim de Registro de Acidentes de Trânsito). O atendente da Polícia diz que não é possível enviar uma viatura ao local, e me sugere ir ao Batalhão da Polícia Militar, que ficava a mais de 5 quilômetros de distância.
Paro um táxi, boto a bicicleta (ou o que sobrou dela) no porta-malas e peço que o taxista vá até o metrô de Irajá, aonde em frente se localiza um posto policial. Peço ainda que o motorista o faça com o pisca-alerta ligado, escoltando os outros ciclistas, que fariam o mesmo caminho. O taxista gentilmente o fez. Lá chegando, os dois policiais militares me informam que não seria possível me levar até a delegacia, e sugerem que eu vá até a delegacia de Polícia Civil mais próxima, a 27ª, que fica no bairro vizinho, Vicente de Carvalho.
Outro táxi, desta vez sem escolta. Lá chegando, após cerca de uma hora de espera, o policial de plantão, chamado Átila, informa que está sozinho na delegacia e que “só irá fazer um atendimento”, pedindo aos que pleiteavam atendimento – eu e mais três pessoas – que contassem suas histórias e ele decidiria qual seria atendido. Conto a minha história, e ele sugere que eu vá a um Posto Médico, seja atendido e peça um Boletim de Atendimento Médico. Segundo ele, por mais que meu dano físico tenha sido pequeno, tendo este documento ele poderia então fazer o Registro da Ocorrência como Lesão Corporal, e que isso teria um peso muito maior num posterior julgamento.
Já com o celular sem bateria, pego mais um táxi até o metrô de Vicente de Carvalho, deixo os restos da bicicleta no bicicletário da estação, me despeço de meus colegas ciclistas e me dirijo com minha namorada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima, do bairro de Irajá. Nela, o atendimento foi rápido – tudo levou cerca de 30 minutos – e me receitaram um anti-inflamatório, Mioflex A, 1 comprimido a cada 12 horas por 7 dias.
Saí de lá sem o Boletim de Atendimento Médico, uma vez que ele leva uma semana para ser impresso (!), mas com o seu número, e segundo a atendente da UPA somente o número seria suficiente para fazer o Boletim de Ocorrência. O número do meu BAM é 021304060149.
Próximo passo, Registro de Ocorrência. Depois, Exame de Corpo de Delito no Instituto Médico Legal (IML), o que pretendo fazer na segunda-feira. Vos manterei atualizados.
Enfim.
Depois de isso tudo, olhos marejados, o gosto amargo na garganta, e fica a pergunta:
Até quando?













