Como corrigir lentidão do Google Music Beta com o BOINC

Começando o ano com uma rapidinha sobre Linux, BOINC e Google Music Beta. Uso o uploader do Google Music Beta com frequência para subir minhas músicas para o sistema da Google e também uso o BOINC para colaborar com projetos de computação distribuída. Notei que, às vezes, o uploader do Google Music Beta ficava bastante lento, e resolvi investigar o porquê.

Rodando o top pude entender o motivo:

  PID USER      PR  NI  VIRT  RES  SHR S %CPU %MEM    TIME+  COMMAND
 1884 boinc     39  19 62316  35m  600 R   90  0.9 276:55.07 primegrid_cllr_
 7421 boinc     39  19  263m 259m 2476 R   84  6.6  59:31.21 hsgamma_FGRP1_0
 2846 nighto    37  19  692m  37m  22m S    2  0.9   2:41.32 MusicManager

A coluna NI mostra a prioridade (niceness) do processo. O valor de niceness, que varia entre -20 e 19, representa a prioridade do processo no scheduler do kernel; quanto maior o valor, menor a prioridade que o processo terá. Os processos do BOINC tem prioridade 19 para que não suguem todos os recursos da máquina; o processo do Google Music também é assim para, suponho, não deixar a máquina lenta quando realizando uma conversão de CODEC antes do upload (FLAC ou OGG para MP3, por exemplo). Como os 3 processos (2 do BOINC, pois meu processador é dual-core, e o do Google Music Beta) tem a mesma prioridade, isso se reflete como uma lentidão na interface gráfica do Google Music.

Para corrigir isto, basta mudar o valor de niceness do processo do Google Music com o comando renice para qualquer valor maior que 19 (18 é suficiente). O renice trabalha com o PID do processo (Process IDentificator, um número que identifica cada processo no sistema) e deve ser executado como root. Então você pode descobrir o PID do processo com o comando ps aux:

$ ps aux | grep google-musicmanager

nighto 2846 0.2 0.9 709224 38512 ? SNl Jan26 2:47 /opt/google/musicmanager/google-musicmanager
nighto 14384 0.0 0.0 15812 908 pts/0 S+ 13:01 0:00 grep --color=auto google-musicmanager

E então executar a mudança de prioridade de execução com o renice:

# renice 18 2846

2846 (process ID) old priority 19, new priority 18

Ou, simplesmente, fazer isto num comando só:

sudo renice 18 `ps aux | grep google-musicmanager | awk '{print $2}' | head -n1`

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Bazar do Nighto – especial dia das crianças

Gadgets são criaturas mágicas que precisam de amor, carinho e afeto. Com o dia das crianças próximo, é chegada a hora de alguns deles saírem do fundo da gaveta e respirarem novos ares em outros lares. Assim sendo, venho colocar alguns gadgets à venda:

  1. Teclado bluetooth Nokia SU-8W, compatível com praticamente todos os dispositivos com bluetooth (iPhone, iPad, celulares e tablets Android, computador etc.), funciona com 2 pilhas palito (que duram cerca de um mês com uso diário), é dobrável e bem portátil (quando dobrado, é um pouco menor que uma fita de Super Nintendo) e possui um suporte embutido e destacável para celular. Apenas R$ 200
       
  2. Sony PlayStation 2 Slim modelo SCPH-79001 com Matrix Infinity 1.93 (desbloqueado), acompanha 1 controle, cartão de memória de 8 MB Sony SCPH-10020, fonte padrão americano SCPH-79100, cabo vídeo composto e cabo vídeo componente (que oferece maior qualidade de imagem), de brinde case com cerca de 20 jogos (todos de música – Guitar Hero, DDR e afins) e um tapete de Dance Dance Revolution (com entrada de PlayStation e porta paralela). Acompanha o manual. – R$ 200
       
  3. Vendido! Leitor de livros Amazon Kindle Keyboard Wifi+3G, importado legalmente dos Estados Unidos (acompanha Documento de Arrecadação da Receita Federal), versão sem propagandas. Com 3G gratuito, isto é, sem a necessidade de pagar plano de dados, permite ler livros, revistas e acessar a internet. Conta com uma tela de e-ink (tinta eletrônica) de 6″ que, por não ter iluminação como a do computador, celular ou iPad, não doi os olhos quando usado por tempo prolongado. Acompanha a caixa, cabo, manual e luva de neoprene. – Apenas R$ 500.
  4. Vendido! Tapete Andamiro Pump It Up original, pouco usado, bem cuidado, respondendo perfeitamente. Com porta USB, pode ser usado tanto no PlayStation 2 quanto no PC. – R$ 100
  5. Vendido! Fone de ouvido bluetooth Nokia BH-505, com suporte a A2DP (fone de ouvido estéreo) e AVRCP (com controle de reprodução, avanço e retrocesso de músicas). Semelhante ao Motorola S9 e S9 HD, porém com qualidade do material, sonora e principalmente recepção superiores. – R$ 200
Aceito ofertas, especialmente se comprando mais de um gadget.
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Usando o Google Music como player de música padrão

Há algumas semanas, recebi do Matheus Ashton um convite para o Music Beta by Google, vulgarmente conhecido como Google Music, serviço ainda em beta privado para streaming de músicas. Funciona assim: você baixa um aplicativo (disponível para Linux, Mac e Windows), escolhe a sua pasta de música e deixa que ele faça upload de todas as suas músicas. Depois, pode ouvi-las de qualquer computador (incluindo iOS/Android com uma interface bem espartana em HTML5). Também há um aplicativo para Android disponível, mas ele ficou lento no meu já cansado Milestone 1. Atualmente, o cadastro é permitido apenas para usuários nos Estados Unidos. Nada que um proxy não resolva.

Depois de aguardar o upload dos 13GB de música que tinha no meu celular (2.153 músicas, das 20.000 que o serviço permite atualmente), decidi utilizar o Google Music como player de música padrão. Para isso, precisava de duas coisas que considero essenciais num player de música:

Por esse motivo, nunca tinha trocado o player desktop (mais especificamente, o Banshee) por serviços de streaming como o Grooveshark ou mesmo usar o YouTube como player de música (embora também faça scrobbling das músicas deste último com a extensão Chrome Scrobbler).

E a solução foi justamente essa: utilizar duas extensões no Chromium. A primeira, Google Music Player Enhancements, foi disponibilizada como um script – ou seja, também pode ser utilizada por usuários do Firefox – e adiciona o suporte ao scrobbling para o Last.fm direto do Google Music, além de outras funcionalidades interessantes. Por exemplo, permite adicionar a música aos favoritos do last.fm (o que pode automaticamente gerar um post no Facebook com o Lastfm Social).

Finalmente, para os atalhos de teclado, há a extensão Media Buttons for Google Music. Há dois poréns, entretanto: elas só funcionam quando o foco está na janela do navegador (o que é verdade para mim em 90% do tempo) e é preciso desabilitar outros programas que utilizem-se das teclas. No Ubuntu, basta ir em Sistema > Preferências > Atalhos de teclado e remover os atalhos “Reproduzir (ou reproduzir/pausar)”, “Faixa anterior” e “Próxima faixa”. Também removi o atalho de “Parar reprodução” para associá-lo ao Google Music (assim, apertando stop abre o Google Music caso ele esteja fechado).

Agora, junto com a utilização do Dropbox para salvar os documentos e dado que a minha mídia (fotos, vídeos) fica toda no servidor NAS em casa, posso se quiser formatar o PC sem pensar 2x em backups. Estou usando o notebook recém formatado no trabalho sem nenhum MP3 no HD sem deixar de ouvir minhas músicas favoritas. :)

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Bicicletas dobráveis: um comparativo entre Blitz, Dahon e Caloi

Este ano tive duas bicicletas furtadas dentro do meu prédio, por conta disso decidi comprar uma bicicleta dobrável, com o intuito de guardá-la dentro de casa. Comentando no twitter e no facebook, alguns amigos se mostraram interessados em mais informações, e decidi compartilhar a pesquisa que estou fazendo sobre bicicletas dobráveis aqui no blog.

Bicicletas dobráveis podem ser colocadas num cantinho da sala, no porta-malas do carro, embaixo da mesa no trabalho ou transportadas com uma bolsa específica – o que é especialmente interessante para quem gostaria de utilizá-la conjuntamente com o transporte público (como no caso das Barcas, que cobram o transporte de bicicletas normais durante a semana à parte, ou no caso do Metrô Rio, que impede o transporte de bicicletas normais durante a semana).

As dobráveis são bicicletas que, na maioria das vezes, possuem uma roda de tamaho diferenciado (20″ / 50 cm), e o canote (ferro do banco) e mesa (ferro do guidão) mais alongados do que numa bicicleta normal. Esta é uma bicicleta dobrável típica:

foldable bike love - dahon mariner d7 por Tricia Wang 王圣捷

Apesar de aparentar certa fragilidade, as dobráveis são bem flexíveis – costumam servir para pessoas de diferentes tamanhos. Por exemplo, a Dahon Speed D7 suporta pessoas de até 1,42 a 1,95 metro, com até 105 kg. Então se você é grande isso muito provavelmente não será um problema.

Em geral, elas dobram no meio do quadro e na mesa, além de permitirem torção do guidão (para que ele fique paralelo ao quadro) e recolhimento e torção do canote (para o banco ficar baixinho) e dos pedais (que dobram, ficando paralelos ao quadro, ocupando menos espaço). Uma bicicleta dobrável típica fica com esta aparência quando dobrada:

folded with ergon gc3 grips por owenfinn16

Apesar de no mercado nacional existirem bicicletas dobráveis com rodas de 16″ (40 cm) a 26″ (66 cm), irei focar nas de 20″, que são as mais populares; além disso, listarei as bicicletas por ordem de preço, indicando as lojas online mais baratas. O menor preço foi encontrado através do Buscapé no momento da confecção do texto, e não indicam preferência por nenhuma loja em específico; caso você tenha interesse em adquirir alguma das bicicletas, recomendo fazer uma nova tomada de preços, assim como verificar nas bicicletarias locais. Mencionei também o preço parcelado, para que você possa comparar com o seu gasto mensal com transporte e ver o quanto pode economizar comprando a bicicleta e em quanto tempo ela se paga.

No Brasil, as bicicletas dobráveis mais vendidas são de 2 fabricantes internacionais, a Blitz e a Dahon. A Blitz possui uma penetração maior no mercado nacional – o que se dá, na minha opinião, principalmente por ter bicicletas com um preço mais baixo que a Dahon -, enquanto a Dahon domina o mercado mundial (com 2/3 da venda de bicicletas dobráveis) mas é menos popular aqui no Brasil devido a seu preço maior. Além disso, a Caloi recentemente retornou ao mercado de bicicletas dobráveis com o modelo Urbe.

Sem mais delongas, vamos à lista!

Blitz City

O modelo mais simples das bicicletas dobráveis é a Blitz City. Com quadro de aço-carbono (ao contrário dos outros modelos, de alumínio) ela é um pouco mais pesada que as demais (14 kg, contra aprox. 12 kg dos outros modelos) e não possui marchas, sendo a opção mais em conta à venda, indicada para trajetos curtos e planos. Infelizmente o site da Blitz é pobre em especificações técnicas, mas a Blitz City conta também com bagageiro e para-lamas, e está disponível em duas cores, grafite e preto fosco. O melhor preço que eu pude encontrar foi R$ 599 (em até 12x de R$ 49,92, sem juros) ou com 5% de desconto no pagamento em boleto (R$ 569,05) na freecycle. Veja outras lojas no Buscapé.

Blitz Alloy

Em ordem de preço, o modelo seguinte é a Blitz Alloy. Mais leve que a City (12,5 kg, vs. 14 kg), ela possui 6 marchas (Shimano Tourney, com passador Grip Shift, daqueles que se gira como um acelerador de moto), além do quadro de alumínio (razão do peso menor) e aros da roda de aço inoxidável (de maior qualidade que os da City, que são zincados). A Blitz Alloy está disponível em três cores – preto fosco, grafite e vermelho – a partir de R$ 889 (em até 10x de R$ 89,90, sem juros) no CompraFácil. Veja outras lojas no Buscapé.

Dahon Durban Metro


A Durban Metro é uma dobrável simples, de uma marcha, fabricada pela Dahon (embora não conste no site, não pude descobrir o porquê), seria equivalente à Blitz City. Ela traz algumas melhorias ao modelo da concorrente, tais como o peso reduzido (11,5 kg vs. 14 kg) e quadro de alumínio. Disponível em quatro cores – amarelo, marrom, rosa e azul piscina – a partir de R$ 990 (em até 12x de R$ 82,50, sem juros) na Netshoes. Veja outras lojas no Buscapé.

Blitz Impulse

O modelo seguinte é a Blitz Impulse. Ligeiramente mais leve que a Alloy (12 kg, vs. 12,5 kg), permite maior velocidade, por possuir uma relação diferenciada, com uma catraca maior e pneus slick (mais finos); possui um sistema de dobratura simplificado, quadro hidroformado de alumínio, passador indexado (aquele que as marchas “pulam” para o lugar certo, mais simples de utilizar) e cubos reforçados. A Blitz Impulse está disponível em quatro cores – branco, preto, verde e vermelho – a partir de R$ 1219 (em até 12x de R$ 101,58, sem juros) no Submarino. Veja outras lojas no Buscapé.

Dahon Eco C7


A Dahon Eco C7 é anunciada no site como o modelo de entrada da empresa. Com 12,1 kg, possui alguns diferenciais interessantes, como pneus de alta pressão (65 psi) e 7 marchas, bem como o sistema de dobras da Dahon, superior ao da Blitz. As outras características seguem o encontrado nas outras bicicletas, como quadro de alumínio, por exemplo. A Dahon Eco C7 está disponível em quatro cores – branco, preto, azul e vermelho – a partir de R$ 1490 (em até 12x de R$ 124,17, sem juros) na Netshoes. Veja outras lojas no Buscapé.

Caloi Urbe

A Caloi, que já foi referência no mercado nacional de bicicletas dobráveis com a clássica Caloi Berlineta a partir da década de 60, tirou o produto de linha após a grande popularidade do ícone Caloi 10 e das mountain-bikes. Agora, com a recente (re-) popularização dos modelos dobráveis, está voltando ao mercado com a Caloi Urbe. Única opção nacional, parece ser um modelo recém-lançado, pois não pude encontrá-lo em nenhuma loja online (nem mesmo na loja oficial da Caloi). Porém, daqui a alguns meses, talvez venha a ser uma opção interessante. O preço sugerido de venda é R$ 1499. Veja mais detalhes no site da Caloi.

Dahon Speed D7

A Dahon Speed D7 seria o modelo topo de linha das bicicletas de 20″ vendido no Brasil (pelo menos que eu pude encontrar facilmente na internet). Dentre os diferenciais em relação à Eco C7 estão a relação mais speed (34″-92″ da Speed D7 contra 37″-73″ da Eco C7), além de componentes e juntas de qualidade superior. A Dahon Speed D7 está disponível em 8 cores (no site do fabricante, não sei se todas estão disponíveis no Brasil) por R$ 1890 (em até 12x de R$ 157,50, sem juros) na Netshoes. Veja outras lojas no Buscapé.

Fora as bicicletas de 20″, existem outras opções, como a Dahon Curve D3, de aro 16″ (com roda ainda menor, mais portátil) à Dahon Matrix, de aro 26″ (de tamanho “normal” como as mountain-bike convencionais).

Você tem uma bicicleta dobrável? Tem vontade de ter uma? Deixe seu comentário!

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Brasuino, o Arduino livre da Holoscópio

O pessoal da Holoscópio lançou um projeto muito interessante: o Brasuino, uma versão 100% livre (GPLv2+) do Arduino. Não conhece o Arduino? Veja mais detalhes.

O Brasuino BS1 uma releitura do Arduino Uno, totalmente compatível (pinagem, shields e software), feito com software livre (Kicad) e que traz algumas mudanças interessantes, como a mudança do conector USB B (“USB de impressora”) por um conector Mini USB. Segundo o site:

  • Compatível com os shields do Arduino Uno e o software Arduino
  • Utiliza o microcontrolador ATMEGA328 em 16MHz, com 32KiB de memória Flash, 2KiB de memória RAM e 1KiB de memória EEPROM;
  • Possui um microcontrolador secundário (ATMEGA8U2) que pode ser utilizado por usuários avançados para criar dispositivos USB diversos;
  • Hardware Livre: projetado com software livre e licenciado como tal, faça o que quiser com o seu Brasuino!

Comprei o lote zero (protótipo, apenas 10 peças produzidas!) há 2 semanas e estou bastante satisfeito com o produto. O preço de venda da versão final será de R$ 90. Veja mais detalhes na loja da Holoscópio.

Veja algumas fotos que tirei do Brasuino junto de um Arduino Duemilanove e um shield Ethernet:

Estou desenvolvendo com o JC um projetinho de controle de acesso com RFID e verificação de acesso em um webservice, apelidado de Cerberuino. Mais detalhes em breve.

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Kindle novo e o atendimento ao cliente da Amazon

(ou ainda uma interessante reflexão sobre os impostos brasileiros)

Costumo compartilhar no meu blog histórias sobre problemas com empresas – já compartilhei o meu relato com a Nokia, que chegou às vias judiciais – mas hoje venho falar sobre o outro lado da moeda. E, infelizmente, do mundo.

Em janeiro deste ano, comprei um leitor de livros Kindle 3G na Amazon. Paguei 189 dólares – pouco mais de R$ 300 – e mandei entregar na casa da minha namorada, que no momento estava nos Estados Unidos. Este mês – quatro meses depois, portanto – após deixá-lo na mochila na maior parte do tempo, tive a ingrata surpresa de ver que a tela estava trincada:

Pois bem, resolvi ligar para o suporte ao cliente da Amazon e ver o que poderia ser feito. Segue abaixo uma transcrição resumida da conversa:

- Oi, eu quebrei a tela do meu Kindle. É possível realizar a troca da tela? Se sim, por quanto?
- Você poderia me descrever como aconteceu o problema?
- Bom, eu deixei na mochila como sempre faço desde que o comprei. Hoje, fui pegar para para ler e vi que ela estava congelada. A parte de baixo da tela funciona, dá para passar as páginas do livro, mas a parte de cima está travada com a proteção de tela e apresenta manchas radiais, como se estivesse trincada. Passando o dedo na tela não sinto nenhuma elevação… aparentemente algo pontudo pressionou a tela. Eu não usava nenhum tipo de capa.

Pausa: Note que eu não dei uma de joão sem braço dizendo que ele parou de funcionar misteriosamente, inventei história, nada disso.

- OK. Bom, eu vejo aqui que você comprou há menos de um ano, então o seu Kindle está coberto pela garantia. Nós vamos enviar um Kindle novo para você gratuitamente, basta que você nos envie o antigo. Eu envio para o seu endereço da Florida ou do Rio de Janeiro?
- Para o Rio de Janeiro, por favor.
- Tudo bem. Bom, como a receita federal do Brasil provavelmente irá cobrar impostos, nós vamos fazer o seguinte: estou dando um estorno no seu cartão de crédito no valor do aparelho com o frete para o Brasil, e estou fazendo um pedido de um Kindle novo para a sua residência. Assim, será feita uma cobrança de 409.71 dólares seguido de um estorno no mesmo valor.

Estou mandando para você um email com os detalhes completos, incluindo o endereço para o qual você deve mandar o Kindle quebrado. No email, há um link para você informar o custo do frete, que também será reembolsado. Utilize o envio expresso; o pacote deve chegar em até 30 dias. Por favor, envie com número de rastreamento e seguro, de forma que se o pacote for extraviado, você seja contemplado pelo seguro dos Correios, o estorno será cancelado e ficará elas por elas.

Isso foi no dia 18, numa quarta-feira, à tarde. No mesmo dia, de noite, fui numa agência dos Correios e postei o Kindle quebrado para Lexington, Kentucky, e o valor total do envio, incluindo seguro, aviso de recebimento e uma caixa para acondicioná-lo foi R$ 43.

No dia seguinte, quinta-feira dia 19, recebo um email dizendo que o Kindle novo foi postado, e o recebi no dia 23, segunda-feira de manhã. Vale à pena ilustrar com um fragmento da fatura do cartão de crédito:

Tirando o Imposto sobre Operações Financeiras, podemos notar 4 transações: a cobrança no valor de 409.71 dólares, um estorno de US$ 27,00 (valor que eu reportei do frete dos Correios) e mais dois estornos de US$ 236,90 e US$ 172,81. O primeiro é referente ao valor do Kindle (189,00) mais o frete (20,98) e o desembaraço aduaneiro antecipado (26,92). O segundo? Imposto.

A compra de um aparelho de 189 dólares resultou no pagamento de US$ 172,81 de impostos. Isso representa 91,43% do valor do produto em impostos. Segundo o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) anexo à caixa do produto, foram cobrados sobre um “valor aduaneiro” de R$ 339,45 (valor do produto mais o frete): 60% de Imposto de Importação (II), no valor de R$ 203,67, e 15% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), no valor de R$ 96,99. Sim, os valores não batem com as porcentagens, mas não é para isso que quero chamar a atenção.

Em resumo: comprei um leitor de livros por 189 dólares, quebrei, liguei pro atendimento, disse que quebrei e eles me mandaram outro gratuitamente, inclusive pagando os escorchantes impostos brasileiros, com um custo total de 409,71 dólares.

Bom. É possível imaginar que o posicionamento da Amazon é natural visto que o negócio deles é vender livro, não o hardware – afinal, sem ter um leitor de livros, eu não compraria livros. Entretanto, não posso deixar de notar o contraste com relação ao atendimento ao cliente em geral aqui no Brasil. Posso imaginar, de forma cômica, o mesmo diálogo com uma empresa qualquer no país:

- Olá. Quebrei meu gadget, tenho garantia?
- Infelizmente não senhor. No popular: só lamento. Digo, só posso estar lamentando…

Além da pesada carga tributária e do péssimo atendimento, ainda temos que aguentar o gerundismo. Não é mole não…

P.S.: Com o Kindle de volta, assim que tiver um tempo retomarei a série de posts sobre o leitor. Sim, estou encantado com ele… quando estava com o Kindle quebrado, baixei o aplicativo para Android, comprei um livro (1822 do Laurentino Gomes) e li até quase a metade. Quando o Kindle chegou, tirei da caixa, liguei e automaticamente o livro foi transferido da internet, e quando eu mandei abrir ele carregou exatamente do ponto onde eu tinha parado no celular. :)

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Rapidinhas: reinstalando o sistema sem formatar o disco, apenas apagando arquivos de configuração

Se por qualquer motivo você quiser ou precisar reinstalar um sistema Linux (seja a distribuição que for), mesmo que não tenha os arquivos pessoais em outra partição, não precisa movê-los para uma mídia externa/outra partição para depois movê-los de volta. As distribuições atuais permitem que você faça uma instalação por cima da outra. Entretanto, arquivos de configuração dos usuários podem permanecer; em muitos casos o erro pode ser causado justamente por eles, então vamos ver como é possível fazer apagar somente eles, mantendo todos os outros arquivos.

De um Live CD qualquer, abra um terminal e:

sudo mount /dev/sda1 /mnt
aqui dizemos que queremos acessar os arquivos da primeira partição do primeiro disco no diretório /mnt. Substitua /dev/sda1 pela partição correspondente caso não seja o caso;

sudo rm -rf /mnt/home/usuário/.*
aqui apagamos todos os arquivos e pastas que começam com um ponto na frente, o que no Linux significam arquivos ocultos, usados pelos programas como arquivos de configuração; repita para cada usuário do sistema;

sudo umount /mnt
finalmente, liberamos o acesso à partição do HD.

Você pode inclusive fazer isso em distribuições diferentes. Por exemplo, estava com o Ubuntu 11.04 instalado e após ficar de saco cheio com a barra do Unity resolvi testar como está o openSUSE com KDE. Bastou fazer estes três passos e instalar o sistema, escolhendo na instalação não formatar o disco, para não ter problemas com os arquivos de configurações antigos mas no entanto não precisar me preocupar em mover todos os meus arquivos para um backup e depois recuperá-los.

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Conta Corrente Eletrônica – conta no banco sem pagar tarifa

O Conselho Monetário Nacional aprovou em 25 de novembro do ano passado, através da Resolução nº 3.919/2010, uma nova modalidade de conta corrente, chamada “conta corrente eletrônica“. Na conta corrente eletrônica, destinada a utilização preferencial por meios eletrônicos (leia-se internet banking e caixas eletrônicos), não há cobrança de pacote de serviços, mensalidade ou anuidade.

Mas como o banco ganha dinheiro nessa história? São cobrados à parte os serviços “com interação humana” (atendimento telefônico, guichê do caixa) quando existam contrapartes eletrônicas (caixa eletrônico, internet banking). Naturalmente, os bancos não são obrigados a oferecer tal serviço: estão livres para oferecer ou não contas segundo esta modalidade.

Atualmente eu tenho uma conta universitária no Banco do Brasil. Pago R$ 3,80 por mês de tarifa de serviços. Com a conta eletrônica, deixarei de dar R$ 45,60 por ano para o banco. Abri a conta em 2006 para receber uma bolsa de pesquisa do Ministério da Cultura; desde então já paguei quase R$ 200 em tarifas para o banco, e nunca sequer falei com o meu gerente. Hoje, meu empregador emite um cheque no Itaú, de forma que se eu não quiser esperar 3 dias para compensação, tenho que entrar na fila do banco para sacar o cheque no guichê – o que faço na maioria das vezes. Abrir uma conta corrente no Itaú resolveria esses problemas.

Pesquisei e descobri que o Itaú foi um dos primeiros bancos a oferecer a conta corrente eletrônica. Com o nome fantasia de iConta, o serviço está disponível desde 24 de janeiro deste ano e permite atendimento “via internet, telefone, celular, iPad e caixa eletrônico”, gratuitamente. A pré-abertura da conta é feita pela internet e é necessário dirigir-se a uma agência para completar o cadastro.

O cliente recebe um cartão múltiplo (débito e crédito) e pode realizar, sem custo, depósitos, saques, pagamentos de contas, consultas de saldos e extratos, realizar contas entre contas do mesmo banco, fazer investimentos e contratar empréstimos, em suma exatamente como uma conta normal. São cobrados à parte transações feitas pelo guichê do caixa, gerente da agência (exceto contratações de investimentos e empréstimos) e atendimento pessoal por telefone.

Será que as tarifas cobradas compensam? Fui conferir a Tabela Geral de Tarifas – Pessoa Física do Itaú. Um resumo:

  • saques ilimitados em caixas eletrônicos, incluindo Banco 24 Horas;
  • saques no guichê por R$ 2,00 cada;
  • transferências ilimitadas entre contas Itaú feitas através de caixas eletrônicos e internet;
  • transferências feitas no guichê ou pelo telefone por R$ 1,30 cada;
  • transferências ilimitadas para outros bancos (DOC e TED) via internet ou caixa eletrônico;
  • transferências para outros bancos (DOC e TED) feitas no guichê ou pelo telefone por R$ 7,80 cada;
  • emissão de talão de cheques por R$ 1,45 (aqui não ficou claro se por talão, por folha ou cheque);
  • anuidade do cartão de crédito opcional por R$ 90,00.

Me parece um excelente negócio. Saques na rede 24 Horas e DOCs gratuitos! À exceção, é claro, da anuidade do cartão de crédito – que eu não utilizarei pois já tenho outro do Itaú, do antigo Unibanco, sem cobrança de anuidade.

Já conhecia a modalidade eletrônica? A utiliza em outro banco? Deixe seu comentário.

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Convertendo livros em ePub para o Kindle com o Calibre

Continuando o post da semana passada, a maioria dos livros vendidos no mercado brasileiro estão em ePub, um padrão livre criado pela International Digital Publishing Forum. O formato é adotado pela maioria dos leitores de livros (incluindo o iBooks da Apple), mas não pelo Kindle. Assim sendo, para serem lidos no leitor da Amazon eles precisam ser convertidos, e a melhor opção para fazê-lo é o Calibre.

Disponível para Linux, Mac e Windows, o Calibre faz diversas conversões entre diferentes formatos de arquivos de livros. Com ele você pode, por exemplo, converter um PDF para ePub para ler no iPad ou algum outro dispositivo, ou converter para MOBI, o formato utilizado pelo Kindle.

Quando aberto pela primeira vez, o Calibre carrega um assistente em que ele pede que você escolha uma configuração de dispositivo de leitura dentre as várias disponíveis (por exemplo, iPad, Android phone, Kindle 1/2/3 ou Kindle DX). Dessa forma, ele irá não só converter para o formato adequado como também adaptar, se necessário, o formato das páginas – configurações de tamanho, margem e afins. Escolhendo o Kindle, é possível também configurar o seu endereço de email do Kindle (um email usuário@kindle.com que todos os usuários recebem para enviar livros de forma automática para o aparelho). Este passo é opcional, mas pode ser utilizado para enviar os livros para o Kindle sem fios através de uma rede que eles chamam de Whispernet (algo como “rede de sussuros”). Note que a entrega de livros via WiFi é gratuita, mas é cobrada via 3G.

Configurações feitas, chegamos à tela principal do Calibre. No centro são mostrados os livros disponíveis na Biblioteca do Calibre, uma pasta por padrão localizada na sua pasta de usuário. Clicando em um dos livros, são exibidos alguns metadados à direita, como a capa, tags e os formatos disponíveis. Por exemplo, a imagem mostra que tenho no disco tanto o livro original (EPUB) quanto a versão convertida (MOBI).

Para adicionar mais um livro, basta clicar no primeiro botão (livro vermelho com um +). Depois, clicando no segundo botão (círculo azul com um i) você pode opcionalmente editar os metadados do livro (dados como título, autor, editora, bem como configurar uma imagem de capa). Finalmente no terceiro botão (livro bege com setas pretas) temos a opção de conversão dos livros. Nesta tela, há diversas opções (como divisão automática de capítulos) mas as opções padrão são suficientemente boas; basta apertar OK.

Conversão feita, basta copiar o livro para o Kindle. Nada mais simples: basta conectá-lo ao computador e clicar no quinto botão (com uma setinha azul para cima) – o arquivo será transferido automaticamente. Se preferir, também pode-se carregar os arquivos manualmente, simplesmente copiando o arquivo .mobi localizado dentro da pasta Biblioteca do Calibre para a pasta documents do Kindle.

(Fotos tiradas com a maravilhosa câmera do Milestone)

É isso aí, pessoal. Como vocês puderam ver, é um procedimento bem simples e pode ser feito por qualquer usuário de computador sem muitas dificuldades. No próximo texto, abordarei a conversão de fotos e quadrinhos (mangás, HQs) para o Kindle. Até lá!

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Kindle e o mercado brasileiro de eBooks

imageNo começo deste ano comprei um Kindle (3ª geração graphite 3G+WiFi) e tenho usado ele para ler livros em inglês, ler quadrinhos (manga e graphic novels em P&B) e para navegar na internet (o que, apesar das limitações do aparelho, funciona muito bem para meus propósitos – assunto para outro post). A disponibilidade de livros em português na Amazon é bastante limitada, então resolvi investigar as alternativas brasileiras.

Resolvi fazer um comparativo com o livro Elite da Tropa 2 de Luiz Eduardo Soares, Cláudio Ferraz, André Batista e Rodrigo Pimentel, que assim como seu antecessor deu origem ao sucesso de cinema Tropa de Elite. O livro é vendido em papel a cerca de 35 reais. Procurei em algumas lojas de ebooks, como a Gato Sabido – que oferecia o livro praticamente pelo mesmo preço que o livro físico, além de algumas lojas que vendiam a cópia digital mais cara que a física (!), mas o melhor preço que encontrei foi numa loja online “tradicional”, a Ponto Frio, por 19,90 (ou 18,90 em boleto bancário).

A primeira impressão foi bastante positiva. Os livros são vendidos em formato ePub (um formato livre, utilizado pela maioria dos leitores de livros, exceto o Kindle) e sem DRM (restrição de cópia). A loja sugere ainda programas para ler os livros em celulares (Stanza para iOS, Aldiko para Android) e para converter para o Kindle (Calibre), e também permite baixar uma versão de demonstração (com o prefácio e 2 capítulos – estranhamente não os 2 primeiros).

Para quem não conhece a experiência do Kindle, você pode comprar livros na Amazon tanto no site quanto na loja do próprio dispositivo, o pagamento é aprovado instantaneamente e o livro é transferido para o seu dispositivo em menos de 10 segundos. Resolvi então comprar o livro com cartão de crédito, para poder comparar com uma experiência mais próxima possível da loja americana.

Em resumo: deu certo, mas foi bem demorado. O processo todo levou 40 minutos , desde o pedido até o recebimento do link de download no email, incluindo a demorada aprovação do pagamento. Não existe um sistema dedicado para compras digitais, que em alguns momentos exibia status completamente não relacionados com compras digitais, como “encaminhado para a transportadora”. De qualquer maneira, recebido o link para download do livro por email, bastou acessar o site, transferi-lo para o computador e convertê-lo com o Calibre – um processo simples, assunto para outro post.

A experiência não é tão fluida como na loja da própria Amazon – como já seria esperado – e o processo não foi instantâneo, mas foi bem positiva. O mercado brasileiro de livros digitais ainda é incipiente, mas está indo pelo caminho certo.

Lê ou gostaria de ler livros digitais no celular ou em leitores dedicados? Deixe seu comentário.

(P.S.: Este foi meu primeiro post no blog utilizando o celular. O texto foi todo redigido no aplicativo do WordPress de Android, com o teclado Swype :) )

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