Antes, um aviso - este post foi escrito sem consultar a Wikipédia ou qualquer outra fonte de informação tida como verdadeira. Assim, pode apresentar ligeiras incongruências.
Tenho uma relação com a Sony de amor e ódio com a Sony, pelo mesmo motivo que me faz escolher softwares livres sempre que possível: padronização.
A Sony, para mim, começa a sua glória com a invenção do antecessor do iPod, um dispositivo tão revolucionário quanto, ou mais - o Walkman. Sim, talvez hoje você ache ridículo, mas naquela época (uns 30, quase 40 anos atrás) não se podia ouvir a música que quisesse sem carregar um pesado sistema de áudio como vemos os rappers nos filmes da sessão da tarde, os soundsystems, ou boomboxes. Tal como o iPod - e quando me refiro ao iPod englobo todos os tocadores de MP3, embora não tenha sido o primeiro certamente foi e é o mais difundido - que nos permitia ouvir o que bem desejássemos, o Walkman finalmente tornou possível não só encolher o minisystem como também ouvir o que bem desejasse sem ser importunado - e sem importunar os outros. Uma verdadeira inovação, que até hoje faz as velhinhas se desculparem por se dirigirem à você enquanto você não entende porcaria nenhuma por estar com um pequeno alto-falante bem próximo do seu tímpano tocando Heavy Metal.
Pois bem, anos depois, um consórcio de empresas se reuniu para criar um formato de gravação de vídeo para o consumidor final, o VHS. A Sony, ao invés de entrar no barco, resolveu bater de frente e desenvolver um formato de vídeo concorrente, chamado Betamax. Isto gerou o que hoje conhecemos como a Primeira Grande Guerra dos Formatos, e embora tecnologicamente superior (armazenava vídeos em maior qualidade), diz-se por aí que ele foi enterrado porque os concorrentes, do VHS, rapidamente criaram um novo formato, usando as mesmas fitas VHS, que armazenava o vídeo em qualidade ainda pior, porém gravava por mais tempo, tempo suficiente para gravar uma partida de futebol americano, o que parecia ser essencial para todos os que compravam um gravador de vídeo.
Balela. Sabemos que, na verdade, a mola mestra da tecnologia é a pornografia, e dizem as más línguas que, na verdade, o Betamax foi enterrado pela recusa da Sony de permitir que as empresas produtoras de filmes educativos passassem suas lições através das fitinhas, digo, fitonas.
Sim, a pornografia é a mola mestra da tecnologia. Afinal, porque inventaram a Internet? As webcams? Celulares com vídeochamada? Por que diabos inventaram o recurso de multi ângulo nos DVDs? Pois bem.
Mas, sem mais divagações, voltemos ao assunto do post, a padronização. Anos depois, na expectativa de substituir as fitas-cassete na gravação de música para se ouvir por aí - já que os CDs já existiam, mas os gravadores domésticos, ainda não - a Sony inventou o MD, uns disquinhos meio magnéticos meio ópticos que lembravam uns disquetes mas gravavam mais ou menos a mesma quantidade que um CD de áudio. Anos se passaram, os MDs melhoraram, criaram os MDs de alta capacidade, criaram uma compressão de áudio mais avançada que o MP3, chamada ATRAC, mas até hoje só é possível gravar uma música num MD utilizando um software da própria Sony, que não funciona em Linux. E você com isso? Não funciona em Mac também. Oh, o horror. Só para Windows! Que absurdo, diriam os Mactards (pelo menos até antes dos Macs vierem com processadores Intel, o que por um breve momento foi A revolução, mas que todos pensam que sempre foi assim).
Enfim. Mais ou menos no mesmo tempo, no começo da década de 90, a Nintendo, então maioral dos games, resolveu contratar a Sony para desenvolver um drive leitor de CD-ROM para seu videogame então de última geração, o Super Nintendo. A amizade não durou muito tempo, e algum tempo depois a Sony foi dispensada pela Nintendo, por assim dizer. Então, a Sony, que tinha um super drive nas mãos, resolveu dar o troco, criando o mais avançado videogame da época, o PlayStation, que destronou o Nintendo 64 (durante o tempo que a Sony levou para projetar o Playstation, a Nintendo lançou outro videogame) e o então já apagado Genesis/MegaDrive, da Sega. O sucesso foi tão estrondoso que, mesmo com a Sega tendo lançado o Dreamcast (que era melhor que o Playstation, diga-se de passagem) hoje ela é passado, ou melhor, deixou de ser uma das maiorais em hardware para ser só mais uma softwarehouse. Há quem diga que há males que vem para o bem, já que isto possibilitou jogos em que Sonic e Mario aparecessem juntos de mãos dadas, mas deixemos isto de lado.
Muito bem, o Playstation bombou. Mas sabe porquê? Ao contrário dos outros videogames, que usavam cartuchos eletrônicos com os jogos gravados na memória, e ao contrário da tendência Sonyesca de lançarem mais um padrão novo proprietário, eles resolveram lançar um videogame que lia os jogos de simples CDs, que já eram padrão há muito tempo. Não que fosse a intenção deles (ou talvez sim), CDs são muito mais facilmente copiáveis que cartuchos, e esse fato, pelo menos no lado de cá, fez as vendas aumentarem vertiginosamente.
Vamos um pouco mais para frente. O mercado de câmeras digitais fervilha e, ao contrário de usar o antigo formato CompactFlash (que nada mais era do que uma simples versão em memória Flash dos pequenos HDs MicroDrive da IBM), utilizado até hoje em câmeras profissionais, um consórcio de empresas se reune para criar um novo padrão de cartões de memória Flash, menor que os CF, chamado Secure Digital ou simplesmente SD. Para variar, a Sony se recusa a participar da brincadeira, criando o Memory Stick (MS), assim como a Olympus, com o seu xD (não, emuxos, isto não é um emoticon de felicidade). Por alguma razão que desconheço, ao contrário da maioria dos países onde se acha câmeras entry-level decentes de diversas empresas facilmente, como as Canon, Panasonic etc, aqui no Brasil só se acha Sony. É impressionante! A idéia de interoperabilidade que esse padrão de memórias Flash tentou criar que permitiria, por exemplo, tirar o cartão da câmera, botar no celular e enviar a foto pela internet, não foi possível porque a Sony resolveu enfiar o Stick dela em nossos ânus, digo, não no meu porque eu tenho uma Canon, mas nos vossos. Ah sim, claro, você naturalmente poderia usar um celular da Sony para fazer isto. Oh céus.
E agora, a Segunda Grande Guerra dos Formatos - HD-DVD vs. Bluray. Ok, essa eles já venceram. Particularmente, achei até interessante, pois o Bluray pode armazenar mais informação. Me pergunto que diferença faz um filme pornô em baixa-qualidade Youtube-like ou em Full HD, mas não encontro resposta. Enquanto penso (ou talvez você), vou ali jogar no meu Playstation 2 e já volto.
Tags: atrac, betamax, bluray, hddvd, md, mp3, padrão, padronização, playstation, pornografia, sony, vhs, videogame, walkman
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