Não sei bem como começar a falar sobre o evento. Citando o cineasta Marquês de Casanova (!), uma das figuras mais caricatas que apareceram no evento, o Campus Party representa hoje o que foi a Semana de Arte Moderna em 1922 (!!!). Exageros à parte, vamos ao que foi o evento, que ocorreu de 11 a 17 de fevereiro de 2008 no prédio da Bienal no Parque do Ibirapuera, São Paulo.

Fazendo programa na fila

No começo, espera de 2 horas na fila (tive sorte, teve gente que ficou até 6h sob o sol), devido à organização dos crachás ter sido feita exatamente como a espanhola – em ordem alfabética do primeiro sobrenome. Para mim até que isso não é um problema, mas veja por exemplo o nome do meu irmão – João Pedro de Araújo Pereira – aonde ele está? na letra A, P ou mesmo D? Vendo que não ia funcionar dessa forma, resolveram organizar, manualmente, por ordem dos nicknames. Lá fui eu, então, para o N (de Nighto, ora pois). E quem não lembrava seu nick? Para completar, o sistema de cadastro não foi configurado para ser exclusivo, isto é, era permitido que houvesse mais de uma pessoa com o mesmo nick (Será que tinha algum clone meu lá? Espero que não). Em suma, foi bem complicado entrar no evento, esta foi a maior falha (talvez a única, diga-se de passagem), algo que os organizadores humildemente pediriam desculpas ao fim do evento.

Logo após, indo ao balcão destinado a pendências como o meu caso, que não pude pagar a alimentação (R$ 100 por café da manhã, almoço e jantar) antes, mas gostaria de fazê-lo naquele momento (como era dito que seria possível na página do evento), fui surpreendido, naquele momento e nos dias seguintes, de que não haveria esta possibilidade. Como o preço das comidas “avulsas” estava levemente inflacionado – R$ 10 por um sanduíche ou cachorro-quente com refrigerante, ou R$ 7 por uma bola de Lasanha no microondas do estande da CCE no Campus Partysorvete (ainda que Häagen-Dazs) – dirigi-me ao supermercado mais próximo, que ainda que tivesse preços levemente maiores do que o normal (já que o Parque do Ibirapuera, onde se realizou o evento, encontra-se numa das áreas nobres de São Paulo) e comprei lá minha alimentação. Já que não tinha geladeira (mas tinha microondas no estande da CCE, uma ótima iniciativa diga-se de passagem), voltei ao evento com um carregamento de junkfood. Certamente isto, aliado ao forte ar condicionado do prédio da Bienal, foram os causadores da gripe que peguei na quarta. Mas voltando.

Touro mecânico da HackerteenO evento estava dividido em duas partes. A primeira, no primeiro andar, aberta ao público em geral, tinha estandes de empresas em geral bem interessantes, por exemplo a RedBull com um simulador de corrida stock car, a TAM com Nintendo Wii freeplay e a 4Linux/HackerTeen com um touro mecânico – quem ficasse mais tempo ganharia cursos das empresas. Barracas em cima, barracas em baixo. Computadores no meio.Já o segundo e terceiro andares, restrita aos 3.300 campuseiros que pagaram R$ 100 para passar a semana no evento, contava com palestras e minicursos das mais diversas áreas, 900 barracas para os 1.800 que escolheram dormir lá e, não menos importante, bancadas e mais bancadas com cabos de rede que davam acesso à conexão de 5.5Gbps.

Ao total, entre os campuseiros, organização e imprensa, o evento em si teve 5.500 pessoas. A cobertura da imprensa, com notáveis exceções, foi fraca (apesar de constante) explorando muito mais as falhas e o lado freak dos nerds presentes do que as coisas boas. Temos um belo exemplo aqui. Aliás, compartilho a opinião com alguns blogueiros de que o “aquário” da imprensa – área destinada aos jornalistas foi um erro – Jornalista mesmo, com maiúscula, sentaria junto dos blogueiros para enviar suas matérias, como alguns fizeram. Este texto do Observatório do Direito à Comunicação resume bem a questão.

Jacaré Banguela de dinossauro no aquário dos jornalistasAliás, dentre os blogueiros, ou melhor, em seus debates e palestras organizadas, o assunto não fugiu muito da (sempre ela!) monetização e da rixinha entre blogueiros e jornalistas. Acho meio piegas (e posso falar pois eu mesmo já fiz) blogs com 2, 3 comentários terem 4 tarjas do Google Adsense, completamente desnecessário. Por um outro lado, apesar de algumas brincadeiras muito boas (como o Jacaré Banguela vestido de dinossauro e dando uma sacanaeada com os jornalistas, e os adesivos de dinossauro colados na parede do aquário), o debate não passou muito disso. Ao contrário da atividade intensa no twitter, flickr e nos próprios blogs, como mostrou o Livestream do blogblogs.

Crachá do Nighto no Campus PartyViver lá por 7 dias na Nerdstock foi, em suma, uma experiência memorável. Não (tanto) pela conexão ultra-rápida, mas certamente pelas palestras, cursos, festas, por conhecer blogueiros que eu acompanho há tempos via feed (nem cito nomes pois a lista seria muito extensa); em suma fazer amigos (as marias nerdeiras meninaquejoga, raquelcamargo, s1mone e tantos outros sem-link).

É isso. Enquanto estive lá, tirei muitas fotos – mais de 500 – que estão no meu flickr (Se preferir, pode também ver em slide-show). Resolvi também experimentar o twitter, e acabei descobrindo que é uma ferramenta fascinante. Veja meus posts minhas twittadas aqui.

Encerro aqui com alguns números do Campus Party, que peguei (e remixei) do Radar Cultura:

  • 24 TB de download por dia!
  • 3.300 participantes (campuseiros)
  • 5.500 pessoas credenciadas, entre participantes, parceiros, expositores, produção e imprensa
  • 1.800 acampados
  • Público circulante estimado: 50 mil pessoas
  • Campuseiros de 18 países
  • 77% homens e 23% de mulheres
  • 23 anos foi a idade média dos campuseiros
  • 500 jornalistas credenciados
  • 20.400 refeições
  • 2.800 computadores
  • O tráfego da rede foi composto por 70% de uploads e 30% de downloads
  • 25 km de cabo de rede de Internet
  • 26 km de cabo de rede elétrica
  • 9 km de fibra ótica
  • 14 km de cabo de vidro
  • 4 mil tomadas
  • Mais de 3 mil pessoas trabalhando
  • 750 mil volts, o equivalente a uma pequena cidade
  • 18.500 posts em blogs, twitter, youtube e flickr mapeados pelo livestream
  • Seminário Nacional de Inclusão Digital: Carta do Ibirapuera sai às 18h de sábado
  • 800 professores capacitados pelo projeto Escola Conectada
  • Segurança interna de mais de 100 agentes
  • Mais de 300 oficinas
  • 200 mil visitas online ao site oficial
  • 130 mil visitas online ao blog oficial

Participação por área:

  • Software Livre – 23%
  • Games – 16%
  • Desenvolvimento – 15,5%
  • Música – 11%
  • Criatividade – 9%
  • Robótica – 7%
  • Blog – 6,5%
  • Modding – 5%
  • Simulação – 4%
  • Astronomia – 3%

Que venha o Campus Party 2009!

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